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O líderes de projetos 3.0

Boas vindas, querida leitora, querido leitor! Vamos transformar esse espaço dessa ferramenta revolucionária em compartilhamento de conhecimento?

Não, pera, Xico… (sim, se você chegou até aqui dando ao menos um clique pra acessar esse material, declaro que temos intimidade suficiente para esquecer o “Francisco” e me chamar por “Xico”).

Então você está dizendo que um portal de conteúdo, com uma série de DIVs em um HTML, um CMS para inputar todos dados, com login e logout e design responsivo é algo revolucionário? Em que ano você está?? Só falta dizer que foi feito com Dreamweaver e tem uns pedaços de abre <table> pra cá e fecha </table> pra lá no meio do código! (não se preocupe se isso não é contemporâneo da sua época ou da sua formação).

“Ferramenta é temporal, propósito não”

Pois é verdade, você tem razão! A FERRAMENTA não é revolucionária e essa se transforma todos os dias, assim como tudo nesse universo cada vez mais conectado, desconectado, reconectado. Ao mesmo tempo, ferramenta é temporal, propósito não, a não ser que seja realinhado de acordo com objetivos (re)estabelecidos. E é aqui que quero chegar! Vem comigo…

2022, pós-pandemia, vacinas em dia (ok?), uma gama gigantesca de termos que precisamos aprender todos os dias, alguns deles apenas porque não podemos parecer ignorantes em um bate papo, e ainda terei que aprender sobre nomenclaturas 3.0, incluindo esse termo que você colocou no título…

Desde…

Web 1.0: a época dos primeiros sites de conteúdo (famoso “quando cheguei era tudo mato”), na qual o usuário precisava navegar (saudades Netscape Navigator) para encontrar sites, marcas, e um novo jeito de se comunicar, onde o indivíduo era o rei e protagonista atrás dos dados…

Passando por…

Web 2.0: redes de conteúdo, iniciadas por blogs, fotologs, wordpress e os canais “oficiais” de compartilhamento, apelidados de redes sociais, onde o coletivo é que interessa e está no centro…

Chegando finalmente a…

Web 3.0: tão esperada web 3.0, onde os padrões são completamente repensados, que multi universos com regras próprias são formados, considerando uma forma mais descentralizada, segura e independente na sua totalidade.

“O Maior recurso de um job não é o budget, mas as pessoas”

Em cada época tivemos um estilo de Gerenciamento de Projetos. Começamos no modelo mais simples e direto de gestão, que cuidava de escopo, prazo e custo, utilizando métodos tradicionais (famosos waterfall), ou seja, tínhamos que entregar obedecendo uma série de regras bem estabelecidas que se não cumpridas seria certo o fracasso. 

Adicionamos elementos novos que garantiam a integração de um projeto, tornando o líder de projetos um fio condutor, entendendo que seu papel não estava apenas acima do time, mas também ao lado, focando tanto no desbloqueio das rotinas diárias quanto na boa comunicação para além da pessoalização de cada projeto, entendendo que o maior recurso de um job não é o budget, mas as pessoas.

Por fim, chegamos ao atual, que sabe lidar com times presenciais e remotos ao mesmo tempo, que precisa saber lidar com pressão e velocidade, a qual a física, através da velocidade de reação, é tão importante quanto a entrega. Um cenário caótico? Sim. E talvez aqui tenhamos a grande mudança da forma de medir um bom ou um mal gerenciamento de projetos: saber escutar o caos e não tentar controlá-lo, como diria o psicanalista Christian Dunker.

E como viver no caos?

Em 2017, não imaginávamos que ainda teríamos pandemia, nem um modelo baseado no trabalho híbrido. Mesmo atuando já na gerência de uma operação digital, fui convocado pelos sócios da empresa a gerenciar um dos projetos mais importante do ano da agência: uma ação que começava pelo digital, mas que tinha um grande impacto nas lojas, envolvendo uma das marcas de beleza mais queridas do país, com uma série de learnings de projetos anteriores, tanto do cliente, quanto da agência; afinal desenvolver projetos de inovação pressupõe uma visão de melhoria contínua. 

Eu, que sempre fui motivado por novos desafios, não levei mais que uma piscada de olhos para topar a missão e entender que aquele seria o projeto mais importante da minha carreira. Tudo foi organizado, planejado, seguindo todas as boas práticas. Uma matriz de riscos foi produzida, a comunicação com o cliente era clara, direta e constante. Os mais de 30 stakeholders da marca sabiam exatamente o que estava acontecendo praticamente em tempo real, e a equipe sabia do desafio de evoluirmos um escopo técnico complexo e que exigia erro zero, tanto funcional, quanto em performance, já que estávamos falando de mais de 30 milhões de usuários em potencial acessando a plataforma durante o período da ação.

Em um outro momento eu vou contar apenas sobre esse projeto, mas aqui eu quero dar um atalho para representar o que foi uma gestão de projetos 3.0, ainda que em 2017.

Era uma sexta-feira, dia do lançamento do projeto. Estava tudo “on track”, ou seja, parecia o lançamento de um foguete ao espaço… todos contando as horas do lançamento da plataforma, incluindo um canhão de mídia através da base de mais de 30 milhões de cadastrados no clube da marca. Contagem regressiva feita, todos os botões do painel de controle verdes, a plataforma foi ao ar. Visitas no site aumentando, jornada de cadastro para retirar um sampling do produto na loja funcionando, pessoas finalmente retirando seu cupom para ir até as lojas da marca. Passaram-se 3 horas, o coração estava calmo e o sentimento de realização já batia a porta. 

Eis que de repente, um meteoro surgiu na frente da nossa nave. Cadastros começam a zerar, o 0800 da marca começa a receber ligações, e o war room criado no WhatsApp começa a ter suas primeira reclamações que algo está errado. Sim, o formulário de cadastro parou de funcionar. Está dando erro!

Naquele momento passavam pela minha cabeça dois raios de sentimentos simultâneos. O primeiro e mais frustrante: “Onde foi que erramos?”; o segundo concomitante, “Como vamos resolver?”. Eu não estava mais na agência, o time também não, o cliente há 1500km de distância, em uma sexta-feira 18h. Foram horas de comunicação com o cliente, com parceiros do projeto e com a nossa equipe para descobrir a causa, desenharmos a solução e colocarmos de pé o primeiro e temporário conserto que faria nossa nave se recuperar do dano causado pelo meteoro que atingiu uma das asas, ao menos pelas próximas 48 horas.

Mas eaí, Xico, o que deu errado? Que learnings você tirou disso? 

Não foi código mal feito, tampouco erro humano, não foi processo e nem nada com o cliente. Foi a mudança de uma regra em uma ferramenta gratuita do pacote Google, que passou a ser paga após mais de 25 mil interações na sua utilização (API), algo não mapeado pois sempre foi uma ferramenta gratuita independente do volume de consumo na tal API, que semanas antes teve suas regras refeitas, e que não tivemos acesso, nem mesmo nos testes de performance.

Maldizer o Google? Tentar mudá-lo? Impossível! Aprender que subestimamos nossos testes de performance e que poderíamos ter resultados surpreendentes que consumiriam toda gratuidade disposta pelo Google, mesmo com as regras, em apenas 4h de ação? Certamente!! Mas o mais importante… os 3 fatores que fizeram que isso tenha sido apenas um pequeno dano que teve repercussão quase que nula, apesar das milhares de pessoas que tiveram problemas por 2h com o site, mas que depois foram comunicadas que a plataforma estava 100% funcional, e agradeceram por isso:

    • Velocidade de reação: responsável por transmitir segurança de que você está com dedo no pulso do projeto, fazendo com que todos stakeholders confiem na sua tomada de decisão;
    • Comunicação transparente e efetiva: perder tempo escondendo um problema é mais dolorido do que alinhando expectativas com todos ao redor. É através da verdade nua e crua que você conquista o seu time;
    • Integração entre todas as partes: não há mais espaço para os super-herois. As melhores soluções dos projetos são pela conexão de conhecimentos multidisciplinares. Isso transcende criação e tecnologia, mas conecta todas elas!

Isso na minha visão é a Gestão 3.0! E isso é o revolucionário. 

Não a história que acabo de contar, e tenho certeza que você tem tantas tão ou mais interessantes do que essa, mas que independente se estamos na versão 1.0 ou 26.0, as ferramentas para fazermos uma web melhor serão modificadas em uma proporção cada vez mais exponencial. O que não mudará é o propósito que rege o seu trabalho, seja como Gerente de Projetos, seja como criador e mantenedor desse portal de conteúdo (Obrigado Share pela oportunidade!), ou em qualquer profissão ou função que você possa ter ou almejar!

Até a próxima!

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