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Se você escrever o termo “Transmídia” no seu editor de texto, ele provavelmente vai sinalizar a palavra como desconhecida e você terá que a adiciona-la ao seu dicionário. Porém, apesar de ser um termo novo para seu computador, a Transmídia não é nem de longe um conceito antigo.

Hoje em dia é comum marcas gastarem muito dinheiro e muitos anos tentando desenvolver uma estratégia transmidiática. Agora são tantas plataformas, tantos veículos, como deveríamos nos adaptar a tantas formas diferentes de vinculação da minha marca?

Caso você desconheça o termo “Transmídia”, o mesmo nada mais é do que a veiculação de algum material ou alguma marca em várias mídias. Hoje em dia com Facebook, Twitter, Instagram, YouTube se juntando a boa e velha Televisão e aos veículos impressos, a transmídia parece ter ganhado um teor mais complexo de concepção.
Porém, o boom tecnológico não pode ser desculpa. A Igreja Apostólica Romana vem exercitando uma campanha transmidiática antes mesmo do termo “tecnologia” ser cunhado. E não apenas exercitando, mas também permanecendo ao longo dos anos como a transmídia mais eficiente de todos os tempos, como dito por Adilson Xavier no livro “Storytelling – Histórias que Deixam Marcas – Best Business, 1ª Edição, 2015”.

Basta analisar um pouco, quantas reproduções religiosas em diferentes tipos de artes você consegue se lembrar ou assimilar? Entre em um museu e repare quantas vezes cenas como Adão e Eva, o Diluvio, o nascimento de Jesus, batismos, a última ceia, a morte de Jesus ou a ressurreição do mesmo são retratadas. Quanto da obra musical de Bach é influenciada pela sua religiosidade? Quantos estados como Rio de Janeiro (Cristo Redentor) ou Jerusalém (Cidade sagrada) são sinônimos de lares de obras religiosas? Quantos filmes como Ben-Hur, O Livro de Eli ou A Última Tentação de Cristo não apenas ressoam os fatos bíblicos, mas como também ajudam a criar uma mitologia nova? Ou até mesmo, quantas vezes por dia você vê uma cruz? Essa tida por muitos como o logotipo mais popular da história.

A Igreja Apostólica Romana entendeu, desde cedo, que para que houvesse perpetuação das suas histórias, tradições e conceitos bíblicos, tudo isso teria que estar enraizado nos dias das pessoas?—?o que não é diferente da estratégia que você provavelmente já ouviu ao pensar num plano transmidiático para qualquer marca hoje em dia.

“Estar nos dias das pessoas” é o que a Igreja mais faz. Orações, pregações, missas semanais, datas festivas e simbólicas e tudo isso agregado ao material reproduzido por pintores, escultores, arquitetos, músicos e, entre outros, literários.

Pensemos numa marca atual, alguma marca como a Coca-Cola. Já podemos dizer hoje, por mais bizarro que pareça, que assim como Jesus Cristo é sinônimo da época natalina, a Coca-Cola também é. E não é à toa que a marca continua gastando rios de dinheiro pelo mundo para se fazer lembrada em datas como:

Temos que considerar até mesmo a reafirmação quase que diária na TV da sua onipresença no Mundo— porque, afinal, você vive o lado Coca-Cola da vida todos os dias.

Mas voltemos à Igreja. A pregação católica deve ser fonte de inspiração para marcas até hoje. As citações bíblicas e os ensinamentos podem ser facilmente assimilados à bordões e ditados criados por marcas e que caíram no vocabulário popular.

Existe um poema do escritor Claufe Rodrigues (1979-2004) que apesar de isso não ter sido o porquê, em toda sua extensão, parece ter sido escrito como metáfora do processo transmidiático. Entre outras linhas de texto, o primeiro verso diz:

Escreva a sua história na areia da praia,
Para que as ondas a levem através dos 7 mares;
Até tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.

(Escreva sua história – Claufe Rodrigues)

E é exatamente isso que a Igreja Apostólica Romana fez. Escreveu na areia da praia. Divulgou, mistificou e manteve lá até que as ondas viessem e naturalmente as pessoas espalhassem e criassem reproduções do que a Igreja queria propagar.

Se existe uma evidência de que uma estratégia transmidiática foi um sucesso, essa evidencia é o ponto em que a proliferação naturalmente se espalhe de pessoa para pessoa?—?assim como aquele seu amigo que usa uma camiseta com o logo de Johnnie Walker, mas com o nome da marca substituído por Dolly.

A transmídia não ficou mais difícil. Ela só ganhou mais ferramentas.


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