Não para, não para, não para não!

Fósforo queimando e outro caindo em direção ao em chamas.

…até o chão! Pronto, burn-out realizado com sucesso.

Gostaria muito que o trecho da segunda parte do refrão da tão conhecida música do Bonde do Tigrão do início dos anos 2000 (primeira parte aqui: artigo sobre tarefas descontroladas) estivesse falando sobre algo divertido na nossa profissão. Mas, infelizmente, acaba sendo apenas uma analogia para enfatizar sobre a rotação que vivemos hoje em dia, próximos do nosso limite, no nosso limite, ou ainda muito acima dele!

Burn-out por excesso de trabalho

Burn-out por pressão por ter que estar sempre atualizado em conhecimentos

Burn-out pela solidão do home-office

Burn-out por (preencha aqui…)

E o assunto é muito, muito sério! 

Vivemos um ambiente que somos medidos pela nossa capacidade, na grande maioria dos casos! De adaptação, de aprender rápido, de suportar cenários adversos, de entregar mais rápido ainda e “sem erros”, quando o tempo disponível não daria nem pra executar um bom planejamento. 

E termos como “não aguentou a pressão” ou “não conseguiu equilibrar vida pessoal e função na empresa”, se tornam cada vez mais presentes no vocabulário de pessoas/profissionais que endossam que a culpa ou o problema é de quem na verdade pode estar sendo uma vítima de todo um sistema. 

Ok, Xico, entendi… já passei ou passo por isso. E como suportar esse ambiente adverso? Como não se acostumar com algo que deveria ser evitado!

Estou longe de aconselhar, ou ter uma fórmula mágica, mas gostaria de dividir aqui algumas percepções que auxiliam nesse dia a dia:

1. Perceba que algo está errado

Agir todos os dias da mesma forma, reproduzirá resultados iguais. E isso todos já sabemos. O que as vezes não percebemos é que pequenas mudanças diárias podem representar muito! No meu caso, em específico, percebi nesse movimento pós-covid que estar presente no escritório da empresa me faz atuar de maneira mais efetiva (até minha fluência no inglês melhora!).

É o ambiente, o convívio com pessoas do time, a rotina para almoçar e voltar, o cafezinho após almoço… uma série de pequenas ações que trazem estímulos para aliviar a pressão do dia a dia. Em casa acabamos por confundir trabalho e vida pessoal. O computador e o celular ocupam um espaço que não deveria: o nosso sofá, a mesa da sala ou a bancada da cozinha. Os limites se confundem, e nosso cérebro, que deveria estar envolvido com atividades profissionais durante cerca de 1/3 do dia, está ligado e operante por muito mais tempo.

2. Procure ajuda!

Durante a pandemia, eu comecei a fazer terapia. Tive uma resistência inicial pessoal grande, imaginando que minha capacidade de adaptação seria suficiente sempre, não precisando de suporte externo! 

Errei! Hoje vejo que até a resiliência extrema é um gatilho importante, e o quanto se faz necessário termos um espaço 100% nosso para descomprimir. Se a compressão é inevitável de acordo com as vulnerabilidades do dia a dia, o contrário também se torna essencial!

Algumas empresas já oferecem benefícios com plataformas de saúde e bem-estar mental, como o Zenklub. Caso não seja seu caso, busque suporte! Sua longevidade e seu HD, que precisa de constante manutenção, agradecem 🙂

3. Think Smart, Work Smart!

Processos, metodologias, automação! Tudo que viabiliza clareza do que se espera, de como atuar com o menor esforço possível para o maior resultado, precisa ser considerado! 

Infelizmente, ainda existe a máxima de que trabalhar bem é trabalhar muito no nosso mercado da Comunicação. Aos poucos vemos agências e produtoras começando a dar um tom de trabalhar bem ser sinônimo de trabalhar de maneira eficiente, prevenindo as horas extras e o stress mental.

E pra isso, o uso de dados nas tomadas de decisão, a clareza do processo de trabalho, e as expectativas alinhadas constantemente com clientes, equipe e gestores, tornam o trabalho naturalmente mais leve, pois fica visível o propósito de todas as atividades.

4. Aprender mais, pra quê?

Meses atrás participei de uma palestra on-line do Leandro Karnal, a qual ele falava sobre um conceito muito atual no nosso mercado: o Learnability. O desejo e a capacidade de desenvolver e adaptar o seu conhecimento ao longo da vida.

Fonte: Pensador

Sem a menor dúvida estamos vivendo em um mundo nexialista, termo que já falei algumas vezes em outros artigos, que se resume a capacidade do profissional em ser generalista e especialista sobre um determinado tópico, com a profundidade adequada para conduzir o tema.

O problema é tratarmos o Learnability como uma filosofia que visa apenas a quantidade. Quantos livros eu li em X tempo? Quantos conhecimentos complementares eu estou adquirindo? Será que estou conseguindo correlacionar todos, ou mesmo aproveitar os conhecimentos novos? Ou isso seria tudo uma forma de parecer estar atualizado no mercado, pois esse me cobra tal capacidade? Reflita! 

Eu valorizo muito adquirirmos novos conhecimentos, desde que o propósito esteja claro. Caso contrário você só ocupará mais tempo lendo teorias ou exemplos de temáticas que é legal saber, mas não necessariamente é o momento!

5. Responsabilidades claras

“Carregar o piano” e “não deixar a peteca cair”, são maneiras que naturalmente utilizamos para garantirmos que tudo sairá da maneira esperada, mesmo que isso extrapole a nossa responsabilidade. Isso é louvável em pequeno prazo para uma necessidade específica de um job, mas para médio e longo prazo é nada viável. A cultura do super-herói, aquele que é indispensável se torna cada vez mais em desuso nas empresas. Tudo tem que funcionar e não apenas uma ou outra pessoa! Senão, uma boa performance na atuação vira sinônimo de mais trabalho, mesmo àquelas atividades que não deveriam estar com você!

E aí, o que está te fazendo sair do equilíbrio, e te colocando em risco de estar quase no chão?

Até a próxima!

*material escrito direto das minhas férias, porque isso também é importante! 🙂

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Francisco Zanetti
Apaixonado por jobs multidisciplinares, possui graduação em Design Gráfico, MBA em Gerenciamento de Projetos e Pós-MBA em Gestão Estratégica em Serviços. Com 17 anos no mercado, atualmente é Digital Director na multinacional Hogarth Worldwide, do grupo WPP, responsável pelo Digital Lab, escritório de produção de tecnologia e inovação para clientes globais como Nestle, Bayer, Volvo, BMW, Philip Morris, Unilever, entre outros. Também atuou 9 anos na W3haus, por último como Head de Projetos e Operações da agência, liderando as áreas de produção, gestão de projetos e de recursos, para clientes como O Boticário, Panvel, Mondelez e Reckitt Benckiser. Acompanhe o Francisco: Instagram | Linkedin
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