Mercado criativo: como se destacar sendo um profissional independente

As ideias hoje possuem mais valor do que nunca. É sobre isso que se trata a economia criativa, que, crescendo de forma exponencial, vem tornando seu setor econômico atraente para profissionais, marcas e indústrias, sejam modernas ou tradicionais. 

Hoje observamos um crescimento significativo de espaço para as artes, consumo, cultura, tecnologia, influência e mídia, graças ao grande trabalho realizado por anos mas também pela aceleração digital que fez a indústria criativa ganhar reconhecimento.

Nessa esfera que falamos envolve a galera do audiovisual, editorial, design, arquitetura, moda, tecnologia, publicidade etc e seus profissionais, como os ilustradores, redatores, videomakers, social media, gestor de comunidade, de tráfego e de marca, creators, experts, coprodutores, freelancers, eugência, prestador de serviço ou dono de agência.

Onde boa parte dessa turma está inserida em uma realidade pejota (de PJ, pessoa jurídica), o que por um lado pode trazer liberdade profissional, mas do outro também encara um cenário de desvalorização e desafios diários. A verdade de quem precisa equilibrar os pratinhos entre criar, atender, vender, produzir conteúdo, emitir nota fiscal, entregar dentro do prazo e conciliar o tempo com a urgência do cliente não é uma tarefa fácil. 

Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o terceiro país com maior número de profissionais autônomos no mundo, e esse dado nem sempre foi motivado por uma opção, e sim pelo cenário em que fomos inseridos ao optar por uma carreira nesse segmento. 

O que precisa ficar claro é a diferença entre precarização e pejotização. Para conquistar um espaço no mercado onde apenas 28% dos profissionais formados em graduação se encontram em emprego CLT, com ganhos em média de R$2.050,00, acabamos dando um jeitinho para driblar essa realidade e conquistar nosso espaço com mais dignidade, optando por gerir nossa carreira de maneira independente. Assim, temos a oportunidade de ter mais autonomia de estar envolvido(a) em diversos projetos para conquistar um salário digno. 

Os principais pontos positivos apontados por quem atua como profissional criativo independente são

  • O estabelecimento de contatos e parcerias com várias empresas e profissionais;
  • A flexibilidade de horários, que permite conciliar estudos ou trabalho formal;
  • O melhor aproveitamento do dia, porque é possível trabalhar em home office;
  • A própria experiência profissional, que facilita a obtenção de conhecimentos variados e a execução de atividades diferenciadas;
  • A liberdade criativa nas tomadas de decisão;
  • Possibilidade de várias entradas e ganhos maiores; 

E engana-se quem pensa que esses profissionais simplesmente não encontraram vagas no mercado de trabalho ou encaram a profissão como um “bico”. O mesmo levantamento demonstra que:

  • 94,6% dos freelancers têm curso superior, sendo que 24,7% têm alguma pós-graduação;
  • 26,2% têm uma remuneração que varia de R$4 mil a R$ 5 mil por mês;
  • 37,1% tem apenas o freela como fonte de renda;
  • 55,42% não querem estar presos a uma empresa.

Por outro lado, a comunidade apontou que sente falta de alguns pontos na sua rotina e enfrentam dificuldades pela falta de capacitação para habilidades necessárias ao optar por esse modelo de trabalho no mercado: 

  • Estabilidade financeira (64,74%);
  • Salário, 13º e outros benefícios da CLT (38,63%);
  • Rotina definida (21,48%);
  • Férias regulares (16,72%);
  • Relacionamento interpessoal (15,19%).
  • Encontrar clientes (59,52%);
  • Definir o preço do próprio trabalho (49,47%);
  • Conquistar espaço no mercado de trabalho (40,23%);
  • Definir uma direção para a carreira (20,53%);
  • Controlar os prazos dos projetos (16,34%).

Além disso, como profissionais, temos que levar em consideração que as empresas também aprenderam na prática que o trabalho remoto é amigo da redução de custos. E, se reduzir custos já é um mantra em qualquer companhia desde a Revolução Industrial, num momento de crise econômica se torna algo mandatório, e contratar um profissional formalmente gera despesas. A possibilidade de ter a demanda cumprida sem internalizar esse custo é muito vantajosa, principalmente para os pequenos e médios negócios. 

Uma alternativa em frente ao desemprego gerado pela pandemia e também pelas oportunidades da transformação digital forçada pós covid, o mercado independente cresceu em 32% na pandemia

O cenário não nos espera mais na porta da nossa graduação, para receber nosso diploma em troca de emprego com salário de R$5mil reais, com todos os benefícios que deveríamos ter por direito. Nos dias atuais, precisamos aprender a gerir nossa carreira e construir um plano direcionado para o futuro, administrar da maneira correta nossas finanças, organizar nosso tempo com cada projeto, melhorar nosso relacionamento com clientes e parceiros e aprender a utilizar o conteúdo como forma de aumentar nossa visibilidade profissional. A grande questão é como fazer isso de maneira saudável, respeitando seus limites e tendo apoio de outras pessoas que passam pelos mesmo desafios que você. 

Por isso o Coletivo Pejota foi criado, um espaço onde você vai se sentir acolhido e seguro para troca, com cursos de curta duração de acordo com sua necessidade, mentorado para se capacitar para o mercado de trabalho de maneira assertiva.  Acesse e confira.

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Ana Brum
Ana Brum, publicitária, especialista em Branding pela ESPM, atualmente Brand Strategy Consultant at FutureBrand, Leader Of Community Learning at Share e Creative Director da Antisobrinho. Já colaborou em projetos de marcas como Fiat, Iveco, Chilli Beans, CCBB e Pinterest. Acompanhe a Ana: Instagram | Linkedin
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